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Os comprimidos do sexo

A palavra ‘falhar’ no masculino tem outro significado. Testemunhos de homens sobre o Viagra, Cialis e o Levitra
22.04.12
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Os comprimidos do sexo
Os preços variam conforme a marca e o número de unidades Foto Bruno Colaço

Um comprimido muda tudo. Ou muita coisa. Para muitos homens prepara o terreno para uma relação sexual. Viagra - o famoso comprimido azul -, Levitra ou Cialis são usados no tratamento médico da disfunção eréctil. "São 100% seguros. A única infracção à normalidade [na relação] é ter tomado um comprimido para o efeito" - diz o andrologista Nuno Monteiro Pereira [ver entrevista].

OS MEDICAMENTOS

Um Viagra contém 25 mg, 50 mg ou 100 mg de sildenafil (a substância activa) e é vendido em caixas de quatro unidades, ao preço de 31,16 euros, 36,57 e 43,73 euros, respectivamente. Oito comprimidos de 50 mg custam 64,83 euros.

Com estimulação sexual, o homem poderá ter uma erecção em qualquer altura após uma hora da toma do comprimido e até às oito horas seguintes.

Já o Levitra fará efeito após meia hora de toma e até às cinco horas seguintes. Nas dosagens de 10 mg custa 27,43 euros (para deixar dissolver na língua) e 32,61 euros (para tomar com água, como todos os outros) por cada caixa de quatro. O Levitra de 20 mg de vardenafil custa 42,34 euros na mesma quantidade.

Por fim, o Cialis - que tem uma janela de acção de 36 horas - custa 38,81 euros, quer seja de 10 ou 20 mg de tadalafil (a substância activa) e também em lamelas de quatro. Mais caras são as de 28 comprimidos de toma diária: custam 73,39 euros, de 2,5 mg, e 87,27 euros, de 5 mg.

"Muitos casais só procuram ajuda em situações-limite, por vergonha, inibição ou por considerarem que o problema se poderá resolver por si mesmo. Na realidade, a eficácia da solução deste tipo de problemáticas é mais efectiva quando o problema é recente, não implicando assim anos de problemas associados, pois o efeito de bola de neve é inevitável na sexualidade" - explica a psicóloga Vera Ribeiro.

"O homem é um ser que fica muito afectado com esta situação [disfunção eréctil]" - remata Rui Xavier Vieira, responsável pela consulta de sexologia do Hospital de Santa Maria. "Mesmo nas consultas, não falam muito."


"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)


"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)
"TENHO RECEIO DE TENTAR OUTRA VEZ E DE FALHAR" (Manuel, 43 anos; Não revela morada ou profissão; O Cialis não resultou. E o Levitra não o convence)

Saí de um casamento falhado. Há muitos anos que nós já não tínhamos relações sexuais. Só que quando finalmente arranjei outra pessoa, com toda esta situação de grande stress que eu estava a viver, tentei por duas vezes ter relações sexuais com ela mas fico sem erecção, sem rigidez no pénis.

Fui ao médico e ele confirmou-me que eu estava realmente muito ansioso. Toda esta situação frustrada do meu anterior casamento, assim como a ânsia de encontrar outra pessoa, estava a causar-me enorme stress e ansiedade.

Da segunda vez que tomei o Cialis, nada aconteceu. Então, o médico receitou-me o Levitra, que, apesar de causar um ligeiro efeito, não me parece ter grande resultado. Neste momento tenho receio de tentar outra vez e de falhar. Não sei se existirá outro medicamento mais adequado ao meu caso ou o que deva fazer. Esta situação é terrível.

"É O MESMO PRAZER E O MESMO AMOR" (António, comercial, Anadia, 63 anos; Há dez anos experimentou o Viagra. Hoje toma Cialis)

Por volta dos 40 anos, tinha toda a vitalidade. Com 47-48 anos ficava excitado e mantinha uma relação sexual com normalidade, mas já sentia uma quebra - não conseguia ter a mesma vontade todos os dias. Passei a ter relações umas duas vezes por semana.

Pouco antes diagnosticaram-me diabetes e estava também com uma depressão. Razões - pensei - para perder o desejo. Uns cinco anos depois, a minha vida sexual agravou-se. Perdia a erecção a meio da relação. A minha mulher parecia compreender. Mas sofríamos um para cada lado. Um gajo fica abalado, desmotivado, frustrado porque não teve prazer nem deixou que a companheira tivesse prazer. Mas nunca fiquei envergonhado.

Fui ao urologista e disse-lhe que tinha quebra de potência sexual. Queria saber se havia solução. Passei a tomar Viagra. A partir daí, conseguia uma erecção firme e duradoura. E não era por tomar um comprimido que a minha mulher faria um comentário negativo.

Sentia-me como se tivesse outra vez 40 anos. Três ou quatro caixas depois, o medicamento deixou de fazer efeito. E mudei para o Cialis. Dava-me um estímulo diferente. Sentia que o pénis estava mais motivado. Começa-se a sentir prazer e logo se esquece que tomámos um comprimido. É o mesmo prazer e o mesmo amor. Já tomei o Cialis de 10 mg e agora tomo o de 20 - o mais forte.


"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)


"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)
"ACHO QUE AINDA É CEDO DEMAIS PARA O MEU CASO" (Francisco, reformado, Lisboa, 62 anos; Não acredita muito na medicação. Toma Levitra)

Nunca acreditei muito nestes medicamentos. Mas entre enviuvar e voltar a casar, experimentei o Cialis - eu já sofro de gastrite e aquilo feriu-me um bocado o estômago. Nessa altura eu não tinha problemas de erecção. Andava aí com umas raparigas de vinte e tal anos e por isso quis experimentar algo que me desse mais potência.

Comecei a estranhar foi quando mais tarde fui perdendo o interesse por sexo. Nunca deixei de me sentir atraído pela minha actual mulher, mas eu sentia cada vez menos potência. Tinha uma erecção e a meio da relação ia abaixo. É muito difícil quando acontece: não temos palavras nem argumentos para nos justificar.

Não se pode dizer que a minha mulher reagisse mal, mas ficava desnorteada. Quando lhe disse que ia ao médico, ela respondeu ‘porquê?!'

Na consulta, descobri que tenho um problema orgânico. É uma rotura - não sei explicar bem - que se não for tratada, agrava-se. Tenho também problemas de hipertensão e de colesterol.

O médico receitou-me o Levitra. Mas tenho tomado pouco. Não gosto de medicamentos - para ser sincero, não sinto qualquer efeito; o nosso cérebro é que comanda tudo. Tinha relações diariamente e agora só tenho uma vez por semana, ou duas. Às vezes nem isso consigo - o que acarreta muita frustração. Acho que ainda é cedo demais para o meu caso.

"EXPERIMENTEI DE TUDO, ATÉ OS PRODUTOS DAS SEX-SHOPS" (Carlos, 39 anos; não revela morada ou profissão; Tratamentos com Cialis e com Viagra falharam)

O meu problema é difícil para mim, claro. Tem a ver com firmeza de erecção e às vezes com a quase falta dela. Pensou-se que era psicológico - já que isto me afecta bastante - mas afinal veio a constatar-se que tenho problemas de sedimentos a nível das veias cavernosas.

Todos os outros exames que fiz estão óptimos, incluindo o de testosterona. Conclusão, um especialista prescreveu-me um tratamento prolongado com Cialis. Mas nada, zero.

Aliás, dos comprimidos que experimentei o que fez algum efeito foi o Viagra - mas muito ligeiro. Experimentei de tudo, até os produtos das sex-shops. Talvez só a injecção local é que possivelmente fará efeito ou uma prótese peniana. Mas é difícil aceitar isto porque tudo o resto em mim funciona, só não tenho erecção suficiente para uma penetração satisfatória.

Bem sei que durante muitos anos tive uma vida muito stressante e que isso contribuiu para o que me está a acontecer. Por fim, acabei mesmo por me divorciar por já não conseguir ter relações sexuais e já vou na segunda relação que acaba por causa deste mal. É frustrante.


"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)


"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)
"TORNEI-ME UMA PESSOA MAIS PACIENTE E OPTIMISTA" (Carlos, soldador, Setúbal, 59 anos; O Cialis foi o único que experimentou. E resulta)

Sempre tive uma vida sexual activa. Após o diagnóstico de hiperplasia benigna da próstata e com consequente cirurgia fiquei com disfunção eréctil.

Tornei-me numa pessoa muito menos comunicativa e com falta de confiança. Primeiro desabafei com a minha mulher e só depois procurei a ajuda de um urologista. Os exames médicos que realizei foram suficientes para chegar à conclusão de que a cirurgia a que fui sujeito, juntamente com a hipertensão e hipercolesterolemia - e ainda toda a medicação que passei a tomar -, foram responsáveis pela minha perda de potência sexual.

Após a toma do Cialis a minha vida sexual voltou a ser satisfatória. E isso também se reflectiu na relação com a minha mulher. Tornei-me uma pessoa mais paciente e optimista. Recuperei ainda a auto-estima e confiança.

"A MINHA MULHER DIZIA: ‘QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ'" (Sousa, Funcionário público, Porto, 65 anos; Não se deu bem com o Cialis. Usa agora o Levitra)

Os comprimidos andam sempre no meu bolso do casaco. Nunca fui ao médico, compro-os na farmácia de um amigo. Ele só me disse que aos amigos não vendia Viagra, só Levitra ou Cialis. Tudo bem por mim.

Eu tinha uma erecção e de um momento para o outro ia-se abaixo. Deixava-me ficar mal. A minha mulher só me dizia ‘vai ao médico, isso é do stress'. Até aos meus 61 anos, eu tinha relações quase todos os dias.

Ultimamente, a minha mulher só me dizia: ‘quem te viu e quem te vê'. Como não tenho problemas de saúde, deixei de fumar. Mas pronto, isto é da idade. Não tenho de ter vergonha. Experimentei o Cialis. Não me dava grande efeito. O meu amigo farmacêutico deu-me depois o Levitra (10 mg). Ponho um comprimido por cima da língua e vai derretendo. Começo por sentir um efeito no rosto - que fica quente -, que dura dois ou três minutos. Não tenho mais reacções.

Passado uma hora, estou pronto. Basta pensar nela e fico logo excitado - falo da minha amiga, claro. Com ela, um dia destes não tomei comprimido algum e até consegui. Mas já só tenho relações uma vez por semana. Os medicamentos também são muito caros: cada caixa de quatro custa mais de 30 euros. Não se pode gastar muito dinheiro. Interessa é que psicologicamente sinto-me bem. Não tenho problema nenhum. Eu não tenho de ter vergonha.


"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)


"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)
"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)
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"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)
"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)
"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)
"QUERIA TER ERECÇÃO, QUERIA PRAZER E NÃO CONSEGUIA" (José, Trabalhador da Construção Civil, Lisboa; 53 anos; Iniciou agora o tratamento com Levitra. Está a resultar)

Fui à consulta de sexologia com a minha mulher. Sentia tanta tristeza pessoal como por ela, porque não lhe conseguia dar prazer sexual. Ela tentava estimular-me e como não conseguia tinha dúvidas. Pensava que eu pudesse andar com outras mulheres.

Nós sempre fomos unidos do ponto de vista emocional e familiar. Mas sexualmente falhava alguma coisa. Sem saber porquê, eu não conseguia ter erecções que permitissem a penetração. E isso é sempre frustrante quando se tem sonhos, uma vida em comum.

Por timidez minha, nunca fui à procura de ajuda. Fi-lo apenas quando a situação se tornou insustentável. Nós já estávamos em grande angústia, em enorme sofrimento. Deixei passar seis ou sete anos. Queria ter erecção, queria prazer e não conseguia.

Tinha o colesterol alto e sentia-me bastante afectado pela pressão do trabalho, pelo stress e por querer sempre que nada faltasse à minha família.

Ainda só experimentei o Levitra uma única vez - só não tive coragem foi para comprá-lo na farmácia que frequento habitualmente. É tudo muito recente.

Mas o comprimido resultou lindamente. Só a perspectiva de que um comprimido resolveria todos os meus problemas deixou-me radiante. E o melhor foi quando conseguimos ter uma relação com satisfação para ambos.

"ENTREI EM DEPRESSÃO, SEM VONTADE DE VIVER" (Joaquim, Soldador, Barreiro, 64 anos; Toma Viagra. Nunca experimentou outro medicamento)

Assim que me foram diagnosticadas diabetes e hipertensão, com o início da respectiva medicação para estes problemas de saúde, a minha vida sexual tornou-se também um problema. Por isso, entrei em depressão, sem vontade de trabalhar nem tão pouco de viver.

Conversei com a minha mulher e fui à procura de ajuda médica para a minha disfunção sexual. Fiz vários exames. O médico concluiu que a diabetes e a hipertensão estavam na origem de todos os meus problemas de erecção.

Fui aconselhado a tomar os comprimidos da marca Viagra. Senti logo que a minha vida me foi devolvida. Deixei de me sentir depressivo e aumentei consideravelmente a minha auto-estima e autoconfiança. Com a recuperação da minha vida sexual tornei-me uma pessoa mais paciente e com vontade de trabalhar.


ENTREVISTA: "É UMA PENA SER TÃO CARO" (Nuno Monteiro Pereira, urologista)


ENTREVISTA: "É UMA PENA SER TÃO CARO" (Nuno Monteiro Pereira, urologista)

- É verdade que o medo do fracasso na cama é um dos maiores fantasmas dos homens?

- Sim, é verdade. Os mitos ligados à masculinidade, à virilidade, continuam a existir. É a ideia de que a performance sexual é um dos atributos mais masculinos, mais viris.

- Quando é que eles admitem que têm um problema?

- Admitem às vezes até antes de os ter. O receio é tão grande que antecipam um problema que ainda não existe. É um dos factores psicológicos da disfunção eréctil. O homem quando vê que as coisas não estão a correr bem, não tem dúvidas que não estão a correr bem.

- E admite perante a sua parceira?

- Admite para si próprio. Com a parceira depende do relacionamento.

- Quando chegam à consulta já tentaram alguma coisa?

- Podem ter ido às ervanárias, ter mandado vir pela internet medicamentos profusamente vendidos à distância. Os mais conscientes preferem fazer um tratamento médico.

- É errado não procurar um médico de imediato.

- Se a pessoa está a começar a ter problemas – se está a sentir algum sofrimento –, deve ir logo ao médico – um urologista ou andrologista, ou ao médico de família. Se a pessoa tiver a noção que tem uma explicação – por exemplo, o cansaço –, que é transitório, muitas vezes passa.

- O que é a disfunção eréctil?

- É a incapacidade de conseguir uma erecção e de a manter a níveis satisfatórios para uma relação sexual.

- São os únicos sintomas?

- Em bom rigor, a disfunção eréctil não é uma doença, é um sintoma. A doença às vezes pode ser uma diabetes, artérias entupidas... Chegámos àquilo a que chamamos factores de risco.

- Quais os factores de risco?

- Doença cardiovascular no sentido periférico, em que as artérias que vão para o pénis estão entupidas. A irrigação sanguínea é deficiente. A obesidade é um factor de risco indirecto. Factores de risco claros são a diabetes, tabaco, hipertensão, colesterol alto.

- Acontece com os jovens também?

- Acontece. Sendo a maioria das causas de ordem psicológica. Entre os jovens pode haver também alguns, raros, factores físicos. O factor típico de um jovem – não contando com traumatismos – é por insuficiência da oclusão venosa, que costuma ser quase sempre congénita. Ou seja, são homens que contam uma história que nunca conseguiram ter erecções completamente normais. É raro.

- Quais as idades de maior prevalência?

- Acima dos 50-60 anos é que começam normalmente a aparecer problemas. Embora apareça nas idades mais avançadas, a idade por si só não se pode chamar um factor de risco. O que acontece é que acumula circunstâncias que vão determinar problemas.

- Quais os caminhos que o homem deve percorrer para se reencontrar com a sua sexualidade?

- Se se perdeu e tem que se reencontrar, tem de ter uma vida saudável do ponto de vista físico e mental.

- Se não perdeu, como pode manter?

- Tendo cuidados gerais de não utilizar medicação exagerada, ter uma vida de alguma actividade física – não precisa de ser desporto, mas tem de andar, tem de se mexer –, e ter cuidados alimentares. Em princípio não vai ter problema nenhum. Agora é claro que há situações patológicas.

- Como se trata então a disfunção eréctil?

- Primeiro, prevenindo – ter vida saudável do ponto de vista físico e mental. Depois, há três linhas terapêuticas. Há 12 anos apareceu o sildenafil, conhecido por Viagra, que mudou radicalmente as coisas. É um medicamento com alta taxa de sucesso (70 a 75%). E quebrou tabus. Até aqui os_homens_sofriam,_escondiam-se, fugiam às vezes da actividade sexual e até da própria mulher. Esta é a terapêutica oral; existem depois injecções no pénis e próteses penianas.

- Todas elas dão prazer?

- Desde que a pessoa se sinta bem consigo e todos os mecanismos neurológicos estejam capazes, não há problemas nenhuns de prazer. Dão orgasmos, ejaculação, excitação.


- O preço dos comprimidos é que é pouco democrático...


- O preço dos comprimidos é que é pouco democrático...


- O preço dos comprimidos é que é pouco democrático...

- Não são comparticipados e são caros, sim. Quatro comprimidos andam à roda dos 40 euros, para os que são tomados antes da relação sexual – que na gíria se chamam a pedido ou on-demand , tomados uma hora antes de ter relações sexuais.

- Tomam-se uma hora antes…

- Sim. Depois, durante essa hora tem de esperar, o fármaco tem de se instalar. O grande segredo deste tipo de medicação é que, por si só, não provoca erecção – prepara o terreno. Só funciona se for preciso: toma o comprimido e não tem excitação, nem se nota qualquer alteração do pénis; havendo excitação, tudo funciona como antigamente.

- Pode tomar-se diariamente?

- O Cialis tem uma dose muito baixa para toma diária. As caixas, em vez de serem de quatro comprimidos – como as outras –, são de 28. Permite que um homem o tome todos os dias de manhã – perfeitamente a despropósito de alguma eventual relação sexual – e quando quiser ter relações sexuais está capacitado. Só tem de investir nos preliminares.

- Contra-indicações deste tipo de fármacos?

- O único risco é tomá-los juntamente com os nitratos – que é o padrão do medicamento que quem está com uma dor súbita no peito põe debaixo da língua para se safar de um ataque cardíaco. A baixa de tensão é absolutamente brutal e pode ser mortal para um doente cardíaco. Desta associação veio a má fama que o Viagra teve no início – em Portugal pensa-se que terão morrido duas pessoas, mas nos EUA morreram milhares. Hoje, não existe esse risco.

- Uma vez tendo uma erecção, quanto tempo dura?

- O tempo que o homem precisa para a actividade sexual. A erecção vai abaixo após a ejaculação.

- O que dizem os seus doentes depois de estarem a tomar?

- ‘É uma pena ser tão caro’. Pode haver também efeitos secundários, raros e pouco intensos: às vezes uma ligeira dor de cabeça. Há doentes que sabem que isso lhes vai acontecer, tomam logo também uma aspirina.

- Não há problema?

- Se resolver, não. O medicamento dá, às vezes, também congestão nasal, ou um bocadinho de dor de estômago. Raramente há efeitos secundários que obriguem a abandonar o medicamento.

- E o que eles dizem de positivo?

- A maior parte dos homens dizem que há claramente uma fase antes e outra depois dos comprimidos.

- É consentida prescrição a homens para efeitos lúdicos?

- A regra básica é só se passar medicamentos a pessoas que têm patologia. Ainda não há a indicação da comunidade médica de que se pode prescrever. Mas às vezes é consentido.

- Concorda?

- É um medicamento 100% seguro. Admito neste momento, ao critério de cada médico, que o possam fazer. Se for um homem sem disfunção, o medicamento não faz qualquer efeito físico; pode fazer é psicológico. Sei que há colegas meus que às vezes passam a quem pede e a amigos – e muito mais o fazem os farmacêuticos.

- Há risco de viciação?

- Física, parece-me não existir. Psicológica, claro. Aos 40 e tal anos as artérias já não são como aos 20; se um homem nota que as coisas melhoram, tem uma erecção mais prolongada, mais rígida e mantida, ele diz ‘porque é que eu não hei-de ter melhor relação sexual se o consigo tomando um comprimido’?

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